Óbidos
Fevereiro 2018
~
circula o tempo
mas o espaço
permanece
permanece
e nesse
movimento
movimento
errático
disestésico
nessa presença
dolente
e (in)constante
é primeira
a mágoa triste
da saudade
sempre tácita
e rugosa
antes das coisas
e motivos e cores
que se assomam
aos dias
desconexos
desconexos
e vastos
desta viagem
sem onde
existir
na certeza final
de que tudo finda
seja para quem for
naquela mesmíssima
hora derradeira
naquele lugar
desvalido
desvalido
despertar
com essa verdade
que por ser verdade
magoa
com a força toda
das pedras
contra o mar
em que me espalho
e extingo
é sem sentido
e neste azul
de desencanto
nesta luz matinal
desvanecente
não encontro
motivo além
daquele universal
que nos encanta e trai
motivo que
em nós
falta
em nós
falta
quando nos escapa
a verdade
e o que resta
é um sentir ausente
porque o amor
essa razão
esse sentido maior
que nos falha no limite
no ponto em que somos nós
e o outro
e (a) vida
e (a) vida
na vida de quem parte
(estar longe
é diferente de ser
longe)
é a verdade
que nos agarra
a este
sem tempo
nem espaço
sem tempo
nem espaço
por que corremos
sem pensar
estar que tudo
consome
e invade
a cada momento
a cada presente
que o lembrar-te
nos permite
por isso penso
para sentir-te
estando

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