Monday, March 5, 2018

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Óbidos
Fevereiro 2018

~

circula o tempo 
mas o espaço 
permanece

e nesse 
movimento
errático
disestésico
nessa presença
dolente
e (in)constante
é primeira 
a mágoa triste
da saudade
sempre tácita
e rugosa
antes das coisas
e motivos e cores
que se assomam
aos dias
desconexos
e vastos
desta viagem 
sem onde

existir
na certeza final
de que tudo finda
seja para quem for 
naquela mesmíssima 
hora derradeira
naquele lugar 
desvalido

despertar 
com essa verdade
que por ser verdade
magoa 
com a força toda
das pedras
contra o mar
em que me espalho 
e extingo

é sem sentido

e neste azul 
de desencanto
nesta luz matinal
desvanecente
não  encontro 
motivo além 
daquele universal
que nos encanta e trai

motivo que 
em nós 
falta
quando nos escapa
a verdade
e o que resta 
é um sentir ausente

porque o amor
essa razão
esse sentido maior
que nos falha no limite
no ponto em que somos nós 
e o outro 
e (a) vida 
na vida de quem parte

(estar longe
é diferente de ser 
longe)

é a verdade
que nos agarra
a este 
sem tempo 
nem espaço
por que corremos 
sem pensar

estar que tudo 
consome 
e invade 
a cada momento
a cada presente 
que o lembrar-te 
nos permite

por isso penso 
para sentir-te

estando

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