Sunday, June 21, 2020

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Não tenho muito a dizer ao mundo. Seguramente que há muitas coisas, coisas verdadeiramente importantes e pertinentes, verdades e afazeres que perdurarão no tempo, porque verdadeiramente terão contas e fortunas a dar ao mundo. Mas ainda assim, mesmo sabendo da escassez de sentido e propósito desta vida, deste texto, ainda assim há um presente, há um dia para viver, há uma consciência a frenar e uma tristeza constante que é preciso suportar. Por isso, quando se abre a janela e se escutam os ecos da vida lá fora, e os odores e aromas gastronómicos das outras casas, e o barulho dos pratos ao princípio do final da tarde, findos os repastos e inaugurado por fim aquele apaziguante silêncio pós-prandial, há uma serenidade que se assoma à dureza do dia, que se alia à solidão e ao propositado despropósito das nossas vidas. Estaremos sempre aqui, sempre aqui.

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monte
 Abril 2020