Saturday, March 10, 2018

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vieira
2018

~

de regresso a casa
a este espaço silente
em que sou eu só 
sem expectativas 
nem retornos

a este sonho 
que reinvento 
sem aparas

ao ser-me
agora
de novo
sem saber
quem fui

esqueci-me
de tudo
do todo 
a que me dei
inteiramente

se grande
tiver sido
o pouco 
do que fui 
por inteiro

terá sido
naquele 
dar-me
constante 
humilde
(e)terno 

naquele 
estar
verdadeiro
e pleno
consumido
pela verdade 
de outros olhos
de outros modos
de entender 
a vida

por agora
não sei 
como
sobreviver
a este 
regresso

a esta
casa
estranha

silente

sem 
retorno

Monday, March 5, 2018

~

Óbidos
Fevereiro 2018

~

circula o tempo 
mas o espaço 
permanece

e nesse 
movimento
errático
disestésico
nessa presença
dolente
e (in)constante
é primeira 
a mágoa triste
da saudade
sempre tácita
e rugosa
antes das coisas
e motivos e cores
que se assomam
aos dias
desconexos
e vastos
desta viagem 
sem onde

existir
na certeza final
de que tudo finda
seja para quem for 
naquela mesmíssima 
hora derradeira
naquele lugar 
desvalido

despertar 
com essa verdade
que por ser verdade
magoa 
com a força toda
das pedras
contra o mar
em que me espalho 
e extingo

é sem sentido

e neste azul 
de desencanto
nesta luz matinal
desvanecente
não  encontro 
motivo além 
daquele universal
que nos encanta e trai

motivo que 
em nós 
falta
quando nos escapa
a verdade
e o que resta 
é um sentir ausente

porque o amor
essa razão
esse sentido maior
que nos falha no limite
no ponto em que somos nós 
e o outro 
e (a) vida 
na vida de quem parte

(estar longe
é diferente de ser 
longe)

é a verdade
que nos agarra
a este 
sem tempo 
nem espaço
por que corremos 
sem pensar

estar que tudo 
consome 
e invade 
a cada momento
a cada presente 
que o lembrar-te 
nos permite

por isso penso 
para sentir-te

estando

~

costa 
Fevereiro 2018

~

queria dizer
a palavra
amo
a ti 
e ao mundo 
pois quando 
amamos 
amamos alguém 
e ao mundo 
todo 
que nos ama

queria dizê-la
em silêncio
e no silêncio 
ouvir
ouvir-te dizer
o nome
de todas as coisas
do mundo

queria amar 
assim
amar-te perdidamete
como naqueloutro
poema-vida
que não escrevi

e em tal vazio- 
-libertação plena
da ausência
ser
sermos
com a força
toda
da razão
de sermos