Monday, February 24, 2020

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No fim do caminho, quando a tarde finda em cores infinitas e sons de recolhimento silvestre, e o aroma cítrico da aragem densa e robusta traz a tua ausência presente, o teu porte de árvore grande e imensa, a tua mão esculpindo uma casca de pinheiro, um barco, um gaio, um corvo entoando um eco livre e aberto a tudo o que se não sabe, se não diz ou faz.

Nesse rastilho de verdade, nesse prumo torto e curvilíneo, qual tronco retorcido pelo vento, nesse corcel que é a nossa vontade intrínseca, a nossa incapacidade eterna para sermos felizes entre dentes de oiro e odores de fábrica.  

Nesse sem sentido comum, que em tempos vários é e foi vida, nesse horizonte verde de gradientes vários que é cá dentro turbilhão, insatisfação, tristeza, saudade. 

Em tudo isso, e em tudo o mais o que sentimos e não sabemos, é a razão mais simples e absoluta para esta ausência de sentido, para esta distância imposta pelo partir, tão cedo.

Caminhamos, caminharemos sempre nesta harmonia silente,  neste aqui e agora que é nosso só, nesta partilha espontânea que dispensa todas as palavras, todas as lucubrações que à mente humana se impõem, nesta verdade que se não explica, mas sente.

Não existe nada maior do que este espaço, do que esta terra que nos deste a conhecer e fizeste nossa. E o caminho, que não finda, é sempre recomeço, é sempre motivo para seguir sem medos, no abraço demorado que nos espera. 

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cascavel 
Fevereiro 2020

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