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Showing posts from September, 2016

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A amizade. Aquele sentimento bom, feliz e livre. Livre de convenções, de barreiras, de segredos, de constrangimentos.  Aquele estar, amplo e leve, apenas por estar, não importa o que se diga. Aquele querer sempre estar, aqui, além, do infinito ao ante finito, que é o pouco tempo que nos resta.  Aquele amar sem vergonhas, sem rodeios, sem medos. Aquele gostar que aumenta sempre, sem que nos importem as contrariedades, nem as venças e desavenças, desfeitas num abraço sentido. Por isso, por ser tão verdade, a amizade não tem fim nem hora marcada para o regresso.  A amizade é um reencontro constante, é brisa doce que ondula ao verde-mar do campo, da terra perfumada.  A amizade é sermos humanos, é sabermos que somos falhos e imperfeitos, é reconhecer os nossos erros e os dos nossos irmãos-amigos, e recebê-los com delicadeza, compreensão e respeito.  Porque nesta vida andamos todos a aprender, todos, sem exceção.

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Cacela (foto de MJF) ~ O meu lugar no mundo é sonhar. Acordar é uma névoa que perturba, que em mim estreita a capacidade de viver. Valem-me aqueles que amo e me são próximos, certamente que sim. Valem-me as emoções conjuntas, o sentir que não estou só. Mas fixar o rosto nos ponteiros do relógio, atentar na cinética lenta da luz, seguir o rasto certo da terra quente, segundo a segundo, de vazio em vazio, exaspera e corrói. Há vários caminhos a seguir. Há perfeições diversas, que ora singram, ora caem no saco fundo da repulsa. Há certos e errados simultâneos. Há sorrisos e trismos cínicos coincidentes, brilhando nas mesmas bocas ímpias, mas alvas. Porém, ciente da homogeneização dos opostos, da continuidade dos sentidos, que se opõem e tocam sincronicamente, tudo faço para evitar o que me é estranho. E talvez seja por isso que não consigo conceber a vida prática sem pólos, sem modelos binários, sem verdades opostas e exclusivas entre si. Porque pensar de...

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Cacela (foto de FP ) ~ O meu lugar no mundo é sonhar. Acordar é uma névoa que perturba, que em mim estreita a capacidade de viver. Valem-me aqueles que amo e me são próximos, certamente que sim. Valem-me as emoções conjuntas, o sentir que não estou só. Mas fixar o rosto nos ponteiros do relógio, atentar na cinética lenta da luz, seguir o rasto certo da terra quente, segundo a segundo, de vazio em vazio, exaspera e corrói. Há vários caminhos a seguir. Há perfeições diversas, que ora singram, ora caem no saco fundo da repulsa. Há certos e errados simultâneos. Há sorrisos e trismos cínicos coincidentes, brilhando nas mesmas bocas ímpias, mas alvas. Porém, ciente da homogeneização dos opostos, da continuidade dos sentidos, que se opõem e tocam sincronicamente, tudo faço para evitar o que me é estranho. E talvez seja por isso que não consigo conceber a vida prática sem pólos, sem modelos binários, sem verdades opostas e exclusivas entre si. Porque pensar de...