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Showing posts from March, 2017

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A amizade. Aquele sentimento bom, feliz e livre. Livre de convenções, de barreiras, de segredos, de constrangimentos.  Aquele estar, amplo e leve, apenas por estar, não importa o que se diga. Aquele querer sempre estar, aqui, além, do infinito ao ante finito, que é o pouco tempo que nos resta.  Aquele amar sem vergonhas, sem rodeios, sem medos. Aquele gostar que aumenta sempre, sem que nos importem as contrariedades, nem as venças e desavenças, desfeitas num abraço sentido. Por isso, por ser tão verdade, a amizade não tem fim nem hora marcada para o regresso.  A amizade é um reencontro constante, é brisa doce que ondula ao verde-mar do campo, da terra perfumada.  A amizade é sermos humanos, é sabermos que somos falhos e imperfeitos, é reconhecer os nossos erros e os dos nossos irmãos-amigos, e recebê-los com delicadeza, compreensão e respeito.  Porque nesta vida andamos todos a aprender, todos, sem exceção.

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Vai-se vivendo entre gente. Os lugares estão todos ocupados, nos cafés, nas lojas, nos bancos frente às lojas de gelados. Serve-se sempre um cafezinho por aqui e por ali. Até escrever sobre o momento ficou mais fácil, seja num telemóvel, seja num computador armadilhado com corretor ortográfico. Piora sempre um pouco, é certo, quando nos corrige palavras às quais se comeram letras, ou quando somos coagidos a aceitar tal transformação incorreta, in-co-rre-()-ta, sob pena daquele tracejar ziguezagueado vermelho nos vir a afetar o discernimento. Infelizmente somos muito fracos e o tempo é muito curto para nos dedicarmos a tais contendas reivindicativas, ditas fora do plano e objetivos vigentes. Ser diferente, tentar sê-lo, dá ocupação, mas tira trabalho, e é preciso comer. Gostava tanto que o meu instinto de sobrevivência fosse tão laxo quanto o meu querer estar nesta vida diária. Mas os circuitos divergem algures na nossa cabeça e as águas separam-se a ponto de nos tornarmos autó...