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Showing posts from October, 2016

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A amizade. Aquele sentimento bom, feliz e livre. Livre de convenções, de barreiras, de segredos, de constrangimentos.  Aquele estar, amplo e leve, apenas por estar, não importa o que se diga. Aquele querer sempre estar, aqui, além, do infinito ao ante finito, que é o pouco tempo que nos resta.  Aquele amar sem vergonhas, sem rodeios, sem medos. Aquele gostar que aumenta sempre, sem que nos importem as contrariedades, nem as venças e desavenças, desfeitas num abraço sentido. Por isso, por ser tão verdade, a amizade não tem fim nem hora marcada para o regresso.  A amizade é um reencontro constante, é brisa doce que ondula ao verde-mar do campo, da terra perfumada.  A amizade é sermos humanos, é sabermos que somos falhos e imperfeitos, é reconhecer os nossos erros e os dos nossos irmãos-amigos, e recebê-los com delicadeza, compreensão e respeito.  Porque nesta vida andamos todos a aprender, todos, sem exceção.

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O mundo, como era dantes, esvazia-se a prumo, na desilusão ambígua do esquecimento, conhecido e aceite a todas as horas deste não querer saber.  Olho ante o presente, penso em ti, no reencontrar-te que se faz tarde. Prontamente, porém, vem-me aquela sensação estranha e familiar de saber-te ausente deste mundo dos outros, que para ti deverá ser ainda mais risível e bacoco do que o era quando não era mundo dos outros, mas nosso, estranho e absurdo mundo, o nosso.  Pensei em ligar-te, mas não sei o número. Como é que se liga para aí? É incrível como mais facilmente conseguiria falar com um estranho, qualquer, à distância fónica de nove dígitos e uns toques.  Recorro por isso à memória, coisa que me vem assistindo mais do que aquilo que seria desejável. Nunca recordei tanto, acredita. Nunca vivi tanto ou senti tanto, parada, entre quatro paredes sólidas.  A vida estreita-se-me, entranha-se-me nestas roupas que visto, nesta cabeleira imensa que são o...