Umas quantas páginas para animar mmm hoje vou mas é televisar [isso existe?]. Bife grelhado, sai uma torrada, um café, sem esbanjar a louça, que isto quando estamos a sós com os pratos e talheres custa mais a lavar. Acende televisão, zapping para a esquerda, para a direita [pena não dar nem para cima, nem para baixo], e a paciência esvaindo-se por entre diálogos calamitosos [e logo hoje que decidi televisar!]. Findo o jantar, trato da louça [qual dona de casa exasperada, afogando as máguas em bolinhas de detergente... diz que cheira a limão... eu diria que não], volto para o quarto, tento estudar, não dá, volto para a cozinha, retomo o comando, ligo a televisão, e eis que finalmente encontro algo verdadeiramente interessante, de tal forma que marcou esta noite, trazendo-me à escrita [a bem da verdade, deveria estar a dormir].
RTP2, documentário sobre Noor Inayat Khan (aqui fica um ponto de partida http://en.wikipedia.org/wiki/Noor_Inayat_Khan). Já tinha ouvido falar dela [algures numa aula de história, em tempos remotos], muito embora desconhecesse a sua história. Resumidamente ... Estudou Psicologia e Música (harpa), dedicando-se também à poesia e à escrita de textos para crianças. Dotada de uma personalidade sensível, inteligente e de índole pacifista, ou não fosse a influência sufista enraizada nas suas origens, rumou a Inglaterra em 1940, aquando da invasão de Paris pelas forças germânicas.
Inconformada com a guerra, alistou-se na Força Aérea (WAAF) a 19 de Novembro de 1940, onde estudou técnicas de radiotelegrafia. Os conhecimentos adquiridos nessa área, o domínio da língua francesa proporcionado pelos largos anos vividos em França e as suas características físicas, deram um contributo insofismável para o seu destacamento para Paris. Na qualidade de operadora de radiotelegrafia enviava mensagens confidenciais para Londres, desafiando a égide perfídia de Henri Dericourt e ludibriando os agentes da Gestapo, transportando de lugar em lugar o seu pesado companheiro de viajem, por si tornado pluma, digno de qualquer insuspeição.
Resistiu mais do qualquer outro agente, tendo sido detida pela Gestado após uma denúncia feita por Renée Garry que, num acto de ciúme, entregou Noor Kahn (então Nora Baker; nome de código - Madeleine) à Gestapo.
Após várias tentativas de fuga e tendo sempre permanecido em silêncio, sem nunca ter revelado as informações de que dispunha (assim o confirmou Hans Kieffer, então líder da Gestapo em Paris), foi alvo de tortura por parte dos agentes alemães, tendo sido enviada para Dachau a 11 de Setembro de 1994, onde viria a ser mordazmente assassinada. A sua última palavra terá sido "Liberté".


