É difícil sentir-te, manhã azul e clara. Silêncio promissor. Serenidade que
não existe.
Ouve-se ainda o rumor fremente e baixo que corrói as casas e os pilares de madeira que sustentam as casas. Cheiram a tinta ainda, as casas, a tinta estalada e seca. Não há sopro nem essência que se encontre nelas. E por mais vestígios de vida, há sempre um vazio triste e distante.
Há a cultura, o saber fazer social, o parecer maior que ser, a crueldade meiga da palavra consentida, o gesto ausente.
Procuro o mar, que é longe, e a frescura verdejante dos campos sem nome. Imagino e sonho no presente, no impossível e inoperável presente. Falho sempre à chegada, quando tudo parece estar a ficar bem, quando há um motivo sólido e real e absoluto.
E aqui estou eu, de novo regressando ao início, ao princípio de tudo, desprovida como dantes daquilo que me é essencial e eterno. Resta-me a saudade, a sensação vigente de estar sempre a mais, de ser sempre a mais. Resta-me, de novo, a solitude obrigativa e sem sentido, a inoperância comum, o vazio duro e triste que é recomeçar só, que é sentir-me e perder-me só num caminho que se exige prático e vital e próspero.
Viver é transitar entre tudo e nada, entre ti e a ausência de ti, palavra repetida. E é fazê-lo vezes sem fim. Caminhar, caminhar, rumo ao lugar aonde aportam todas as direcções, todos os indícios de vida, toda a essência da verdade. Caminhar sem fim.
Ouve-se ainda o rumor fremente e baixo que corrói as casas e os pilares de madeira que sustentam as casas. Cheiram a tinta ainda, as casas, a tinta estalada e seca. Não há sopro nem essência que se encontre nelas. E por mais vestígios de vida, há sempre um vazio triste e distante.
Há a cultura, o saber fazer social, o parecer maior que ser, a crueldade meiga da palavra consentida, o gesto ausente.
Procuro o mar, que é longe, e a frescura verdejante dos campos sem nome. Imagino e sonho no presente, no impossível e inoperável presente. Falho sempre à chegada, quando tudo parece estar a ficar bem, quando há um motivo sólido e real e absoluto.
E aqui estou eu, de novo regressando ao início, ao princípio de tudo, desprovida como dantes daquilo que me é essencial e eterno. Resta-me a saudade, a sensação vigente de estar sempre a mais, de ser sempre a mais. Resta-me, de novo, a solitude obrigativa e sem sentido, a inoperância comum, o vazio duro e triste que é recomeçar só, que é sentir-me e perder-me só num caminho que se exige prático e vital e próspero.
Viver é transitar entre tudo e nada, entre ti e a ausência de ti, palavra repetida. E é fazê-lo vezes sem fim. Caminhar, caminhar, rumo ao lugar aonde aportam todas as direcções, todos os indícios de vida, toda a essência da verdade. Caminhar sem fim.