sinto-me hoje
no cumprimento
pleno
das tarefas
da vida
corrente e prática
é Belo este lar
e os pássaros
afora
cantando e rindo
de nós
somos fechados
no bafo quente
e ruidoso
que vem de cima
de lado
de todo o lado
de lado algum
não há voto
que não seja casto
neste silêncio maior
do que o vazio
estridente
restringente
hilário
comporta-te
ó Ruy
que és rei
antes do nome
poema
que entardece
com o verde
da tarde calma
que surgirá
por detrás
desta amálgama
de blocos pardos
banhados em cimento
arinto
chove
fazendo de conta
que chove
nesta vontade
suburbana
e triste
de caçar leões
e desferir
lonjuras
e sonhares
antigos
por agora
para sempre
desde agora
não há chinelo
nem pijama
nem robe
acetinado
que nos
caiam bem
só o dever
cordial
maquinal
deste ofício
único
e intransigentemente
inútil
de ser
mais um
e ainda assim
(ter de)
ser cada
