Um dia. Talvez um dia regressemos ao momento em que tudo era claro e leve. Em que o sorriso era sempre um sorriso, fizesse chuva, ou sol, ou nada.
Um dia, talvez, naquele dia, o som regresse ameno, e a brisa, a brisa fresca e ágil da noite, seja imensidão e sonho e tempo infinitamente doce.
É duro viver sem passado, sem ponto algum além da perda, perene perda que fustiga e corrói. Não há força, não há desejo, não há ímpeto que resista ao esquecimento constante de nós.
Pensar, repensar um sentido, quando se viu já a esperança sem nome a rebentar das bocas destruídas, sós. Quando seguravas, naquele sopro último, um computador-pessoa, só. Quando embalavas a noite com o respirar ondulante e profundo de quem partia, só. Quando jorravas planos entre golfadas de lucidez, de sangue, só.
Não há bem possível, plausível, quando a realidade inteira se nos depara assim, imperiosa e dura, numa hora qualquer de silêncios partilhados.
Um dia. Talvez um dia regresse a ti, a vós. Talvez nesse dia possamos apertar de novo as mãos. E nesse dia, mesmo que as minhas mãos sejam ausentes (e as vossas também), partilharemos juntos a nossa ausência conjunta, a nossa privação alegre do desespero que é viver e saber de tudo isto.
Um dia, talvez, naquele dia, o som regresse ameno, e a brisa, a brisa fresca e ágil da noite, seja imensidão e sonho e tempo infinitamente doce.
É duro viver sem passado, sem ponto algum além da perda, perene perda que fustiga e corrói. Não há força, não há desejo, não há ímpeto que resista ao esquecimento constante de nós.
Pensar, repensar um sentido, quando se viu já a esperança sem nome a rebentar das bocas destruídas, sós. Quando seguravas, naquele sopro último, um computador-pessoa, só. Quando embalavas a noite com o respirar ondulante e profundo de quem partia, só. Quando jorravas planos entre golfadas de lucidez, de sangue, só.
Não há bem possível, plausível, quando a realidade inteira se nos depara assim, imperiosa e dura, numa hora qualquer de silêncios partilhados.
Um dia. Talvez um dia regresse a ti, a vós. Talvez nesse dia possamos apertar de novo as mãos. E nesse dia, mesmo que as minhas mãos sejam ausentes (e as vossas também), partilharemos juntos a nossa ausência conjunta, a nossa privação alegre do desespero que é viver e saber de tudo isto.


