Não tenho muito, nem saber, nem sonho, nem esperança. Vivo do sentir
restante. Do que outrora de bom em mim poderá ter tocado alguém. Não tenho
memória do que fui, nem saber do que estudei ou fiz (fazia) sem esforço. Sou
vazio, total e absoluto. Corpo que se move, incessantemente, em direcção a
nada. Guitarra que foi som. Mão que palpou, ouvido que escutou outros
murmúrios, outros sentires. É difícil viver assim, sempre em dor, em
desesperança. Vivo do amor restante, do pouco mar que ainda é mar. E no
princípio, mesmo sem nome ou razão, tenho tudo aquilo de que preciso para ser
feliz. Mas não encontro, não te encontro.
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