Há um campo vasto de luz, lá fora, e o odor fresco, verde, salgado, que se
não pode atingir. Distam os nossos tempos, as nossas cores contrastantes, as
nossas angústias, os nossos silêncios estridentes e vastos. Procuro-te,
incessantemente, nesta manhã, nesta dor constante que é sentir-te, estando, só.
Não muito distantes, há dois apelos que por mim chamam e saltam e explodem
de alegria quando a meu lado. Mas tudo pesa, e nem essa energia vital e
brilhante e verdadeira, nem aquele amor que se não exprime por palavras
inteligíveis, poema de um vocabulário próprio e essencial, nem este abraço garantido,
nada substitui o sentido ausente.
Procuro sem direcção aquilo que não sinto. Porque há, sei que existe, alguma
coisa maior, uma essência que se agita acima de todas as coisas do quotidiano
normal, de qualquer intento, de qualquer domínio que se possa controlar por
gestos ou palavras secas.
E entre mim (entre nós) e o universo resplandecente e claro que se não
alcança, há um vale imenso e oscilante, uma dor que corrói e persiste, uma
saudade imensa e intransponível. Nem a música, a música.
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