perdi-me
na imensidão
de amar
sentindo
apenas
a vibração
branda e doce
que no teu
sentido
com o teu
sentido
ganhou
forma
e nome
e grandeza
que não
sou
esqueci-me
de como
eram os dias
quando
te não via
assim
como hoje és
para mim
era tudo
tão pequeno
tão anguloso
e habilmente
feio e vazio
que nem
entendia
a cor ausente
das coisas
que me eram
familiares
e consentidas
desaprendi
a vida
que me cabia
lesta e seca
como eu
eu que
noutro então
não cindia
nada
que sentisse
ou desesperasse
e despertasse
cá dentro
mas encontrei-te
tarde
sem tempo
nem lugar
que pudéssemos
habitar
somente
ousei imaginar
a nossa presença
una e constante
na intransigência
enorme
da verdade
mas tudo
é sempre
depois
tudo é
indevido
e está a mais
e foi a mais
sempre a mais
quando à noite
no regresso
a uma casa
sem onde
e de ninguém
o meu corpo
se entorna
e a contenção
amarga
que carrega
o dia
se esgota
exausta e só
quando
o dia se revela
sem sentido
é o teu
abraço
que me falha
e falta
sem princípio
nem fim
e é tão
ridículo
chorar
naquele abraço
que não existe
tão perverso
pensar
se serei
para ti
também
esperança
e desalento
que me traz
a tua
ausência
sinto-me fraca
sem tempo
de que não
precise
para recompor
o estrago
ansioso
e triste
e triste
que não passa
é noite já
apagou-se o azul
claro do mar
que hoje
não foi nosso
e a noite
quando vem
é saudade
locução
tremenda
daquilo que
não existe
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