é difícil acreditar
em nós
quando à luz
do dia
se está triste
e só
é difícil agir
quando o infinito
que foi
num dia
passado
se extingue
na tua ausência
é difícil
concentrar forças
nos limites do tempo
que passa
por nós
e que que vai indo
sem nós
veloz e em diante
sempre
é impossível
viver
quando a solidão
infecta o vazio
pesado
que é não ter-te
abraço imperfeito
mas inexactamente
amplo
e pensar num futuro
para nós
seres ausentes
deste mundo
mas que ainda assim
precisam de comer
no desespero
que é a falha
de motivo válido
para existirmos
desconexos
absurdos
insistentemente
em vão
é frondoso
o caminho
frio e geado
que percorro
ainda
pensando-te
manhã sadia
de outrora
futuro antecipado
que se não
operou
assim passo
os dias
uns melhores
outros nem tanto
mergulhando
no quotidiano
simples
da casa
da rua
das compras
do amar-te
desapercebidamente
nas coisas simples
que aproximam
os nossos tempos
desfasados
é triste viver
fora do que somos
habitar o espaço
alegre e triste
de uma memória
intrinsecamente
presente
desde o princípio
de nós
viver
morrendo
a cada silêncio
a cada gesto
que me trespassa
e não fica
a cada palavra
que não posso dizer
a cada abraço
enredado
no constrangimento
viver assim
na presença distante
de ti
porque te amo
incondicionalmente
infinitamente
tanto
que talvez
só tu
o consigas sentir
e saber
por mais que o
não diga
correm frágeis
os dias
sem ti
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