Thursday, January 28, 2016

~

ressurgir-me
porque
lá fora
há um sol
e um mar

consumir-me 
pela dúvida
que é nossa


não há sentido 
possível
nem resposta
para a vida
que começa
e acaba
síncrona

não há expressão 
alegre ou triste
num corpo 
arrefecido

somos  
o que vamos
sendo

o absoluto 
intangível
que procuramos
entender
são as nossas
limitações

a eternidade 
não existe
senão 
no egoísmo
nosso
de querer
deter
a vida
a termo 
próprio
suspender 
o cair
das folhas
secas
fixar o verde
dos campos
os troncos
cansados

é preciso 
inexistir
para que
as flores
despontem
e os pássaros
cantem 
o dia novo

partir 
é um sopro
que se extingue
em nada

somos 
amar breve 
e imperfeito 

e o sol  
e o mar
não esperam

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