foto retirada de www.olhares.com (link do autor)
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como em ti
me reencontro
uma vez mais
além de outras
vezes mais
no silêncio
deste castelo
abandonado
em que foram
os meus sonhos
de hoje
porque
só em ti
só em ti
e por ti
alcanço
e sinto
o fôlego-mar
de todas
as aspirações
o limiar-limite
da luz clara
que é de ti
e em ti
a evidência
possível
e única
da verdade
que perdi
longe
no tempo
dos nomes
e das coisas
aqui só
neste lugar
silente
da terra
molhada e fria
que cresce
do restolho
florescente
daqui
desta noite
do verbo
novo
ávido
de pólen
e fragrâncias
estéreis
abraço-te
sem fim
no sem fim
deste amor
vazio
além
de amar-te
ao esplendor
primaveril
da minha
alma
renovada
porque da tua
força
insistente e dura
da mão
áspera-amiga
que me
estendeste
são o sentido
e o fim
últimos
do teu sorriso
escasso
a verdade atenta
do teu olhar
ausente
porque sente
o tumulto
que é cá dentro
e se é harpa
agora
o ruído
que escutava
sé é doce
e ávido
de vida
o canto
das aves
se é verde
o verde
reluzente
da chuva
é porque
exististe
para mim
quando
era triste
se hoje
me assiste
o propósito
de existir
e o dar-me
é a razão
maior
de ser
e a música
de novo
o alento
que ficou
longe
foi por ti
que entendes
o silêncio
das coisas
que se não
escutam
pudesse
eu estar
sempre
contigo
presente
além do
recordar-te
abraçar-te
com a força
que me ergue
cedo
para a vida
dizer-te
sem medo
o rumor-frémito
do húmus
fértil
aonde livre
me estendo
sob o céu
pudesse eu
sentir-te
estável
no silêncio
que me não
dizes
esboçar
em ti
um sorriso
no mural
dessa
indignação
sábia
retribuir-te
a resposta
que me deste
para a dúvida
partilhada
levar-te
um pouco
deste ar
fresco
saber-te
feliz

