Saturday, August 24, 2013

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foto retirada de www.olhares.com (link do autor)

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não fui eu 
agora
quem te disse
que o sentido
das pedras
era o único 
possível
do imaginário 
de coisas felizes
que pensaste

quem te falou
do azul-claro 
que é sentir
adentro 
dos outros
e nisso 
encontrar 
a felicidade
de um sorriso 
ou a aceitação
da derrota
que é ser homem
e sabê-lo
de fronte erguida
ao sol nascente
da manhã 
que brilha
lá fora

não fui eu
quem te trouxe
a notícia
do desespero 
nem que te
apresentou
à solidão 
do mundo 
que se não cansa
de gritar silente
o lume aceso
da vida falha
que a nós coube

não fui eu
que te sou
agora
o corpo gebo
e desalinhado
correndo crente
por coisa alguma
ora não sentida
senão como vazio
desconcertante
da inutilidade
destes meus 
estéreis dias
esboroados

perfilei-te
sim
sem vontade
e em desacreditação
daquilo que julgaste
poder ser vida 
prática possível 
destino animal
óbvio e comum
ao bem
inquestionável

reinventei-te 
em desabono 
da necessidade
de pertenceres
à massa viva
da indignação
de tomares parte
do tempo breve
que te coube
e de avançares 
com ele
em explorações
desconcertantes
mas sempre novas
sempre amanhã

não sei que mais 
dizer-te
acredita 
não sei de mim 
para ti
o onde da vontade
de procurar
de partir de novo
de ir além
da clarividência
obscura
que nos espreita
de condescender
a exaustão do sonho
interditado
de olhar em frente
e de olhos fechados
a luz escassa
do horizonte
já sem mar
e nele não encontrar
absolutamente
nada 

não sei de mim
para ti
o sentido
inverso ao das pedras
aquele que dói
mas é verdade

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