Sunday, March 10, 2013

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foto retirada de www.olhares.com (link do autor)

~

porque tarda
sempre
esta mágoa
restante
esta solidão
que entra
de adentro
em nós
e se instala
comodamente
nos interstícios
do sentir
dolente
da manhã

porque
é sempre
noite
no verso
do visível
que somos
nós
sendo
e sorrindo
no cumprimento
laborioso
que inventámos
para distracção
da verdade
que teimamos
em recusar

porque
em nós
veio
o querer
e o desejo
maior
de ser
em desconformidade
com a insignificância
que somos
na unidade
frágil
e perecível
ante mundo
este
que nos
estranha
sem par

.

difícil
é entendermo-nos
nos limites
da vida
que se sabe
curta

estreitar
o horizonte
de matéria
que somos
nós
em vida
à certeza
inicial
de que 
tudo
passa
e esquece

saber
que os rios
correm sempre
e que as cores
das árvores
sem nome
são já 
restos
de memória
comoção
regenerada
de outro
olhar
de outrora

.

talvez
porque
sejamos
a invenção
de nós
nos limites
corpóreos
da nossa
imaginação

porque
o futuro
seja
o concretizar
possível
do desejo
em nós
à escala
do nosso
entendimento

.

mas
e as cores
e os ecos
e as torrentes
vaporosas
e os astros
todos
e o braço
que nos
abraça
forte
ao firmamento
nocturno

que força
que mágoa
tarda
no verso
invisível
da música
que a nós
chega
indistinta

de onde
e porquê
o imo de nós
que estremece
ao som cavo
do vento
batente
sobre 
o poente
das horas

.

de onde
este princípio
(in)findo
em nós

?

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