foto retirada de www.olhares.com (link do autor)
~
é noite aqui
e a neve
junta-me
aos bocados
restantes
do sonho
inconsumado
longe
daqui
deste espaço
sem mar
nem céu
além-gelo
nem estrelas
nem luar
que o
trespasse
escuto-te
-
-
guitarra
plangente
que tocas
adentro
e só
pelas horas
desprovidas
de esperança
.
.
trazes-me
a pedra
quente
as sombras
dos átrios
por onde
vagueio
sem hora
nem estar
invocas-me
os passos
dolentes
de nós
esculpidos
em saberes
e desejos
devolutos
e as vozes
uníssonas
que cantam
à surdina
o amor
primeiro
saudade
vaga
de um tempo
findo
sem lugar
nos lugares
comuns
e transigentes
de nós
.
porque
a vontade
a emancipação
do pensar
a concretização
do ser
que nos
fervilha
essas
tiraram-nas
aos dias
e às cores
que não
escolhemos
.
toca
guitarra
alma
portuguesa
toda
que trazes
em ti
tristeza
doce
e escura
dos trajes
(im)ponentes
das capas
negras
cruzadas
ao vento
plácido
da serenata
fria
.
geme
guitarra
a dor
que é
saber antes
a verdade
e lutar
em consciência
e sem
vontade
pela causa
já vencida
.
geme
guitarra
a clausura
do amar
breve
e sem depois
a solidão
sem lar
a resposta
que se cala
de olhar
baixo
a palavra
adiada
que o orgulho
não consente
chora
o espaço
que nos
não
pertence
porque
somos
a mais
sempre
.
mostra-me
guitarra
longe
um caminho
por que
seguir
se ele
existe
.
leva-me
na distância
de ti
e a esta
mágoa
que é
saudade
recusada
(…)

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