Tuesday, December 25, 2012

~


foto retirada de www.olhares.com (link autor)

~

amo-te
antes do pensar
naquele lugar
longe
principiante
das horas
nulas
de sentido
quando
a sós
existimos
tu e eu

saudade

de ti
que és
ausência
constante
do eco
árido 
da solidão

amo-te
ao frio
cintilante
da noite
na proximidade
do teu olhar
denso
e perturbador
que a mim
traz a verdade

e à tua
existência
que sinto
temporária
e frágil
porque
o mundo
te é pequeno
e demasiado

pudesse eu
abraçar-te
agora
à luz clara
da tarde
explicar-te
tudo isto
dizer-te
o quanto
de ti 
me sinto

ouvir-te
ao vento
estrídulo
das vozes
aguçadas
dos outros
do bem
inventariado
que rezam
estéreis
e em paz
todos os dias
ao deitar

sentir-te além
dos impropérios
morais
e melífluos
que prescrevem
cândidos 
ao riso cínico
do olhar
ágil e vazio

amo-te
aqui
donde te
não vejo
mas sinto
com a força
toda
da terra
do vento
do sonido
implacável
da música
do mar
das colores
limpas
e livres
que nos acercam

porque a vida
essa única
que temos
e somos

a vida
não é
um protocolo
circunstancial
que nos ensinam
para sermos
felizes
e viver
em tranquilidade
de bem
com o sorriso
crasso
estabelecido
pelo hábito
e interesse
impróprios

a vida
somos nós
é o futuro
constante 
de nós
é perdermo-nos
na descrença
na revelação
atroz e dura
da nossa
insignificância
da reciprocidade
ausente
que é surpresa
primeira
ao limite
tangente e claro
da bondade
inexistente

saudade de ti

é a evidência
mordaz
da imperfeição
do homem
da vigília-solidão
da morte
quando planchados
sobre a pedra
fria do esquecimento
quando já nada é
alguém chora
por si
na evidência
breve
da perecibilidade
do corpo
supremo
e inviolável

saudade
da vida
longe do olhar
furtivo
da gente
frenética
e eriçada
que se esgota
e esvai
pela posse
ideada
ao horizonte
limitado
de si

do sondar
profundo
com que a nós
retiram
as entranhas
e sugam
a alma
e molestam
a verdade original
que é na alvura
mais fácil
e acessível

saudade
da orla
marinha
e doce
do teu sorriso
difícil
mas primeiro
do teu abraço
terno
fraternal
do entendimento
nosso só
que partilhamos
silentes
no imo de nós

porque a vida
essa única
condenada
e frágil
é sentir
o apelo-irmão
e amá-lo
no espaço
limítrofe
do nosso

é explicar-lhe
a solidão
partilhada
a dúvida
que nos aproxima
quando a noite
se nos surge
desabitada
e a evidência
triste de nós
se não cala
estridente
ante mundo
avesso
estranho
este
mistério possível
e limitado
a que acedemos
desprovidos
certeza irrisória
do real
que não existe
além do amor

de nós

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