Friday, November 16, 2012

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belisco-te
lugar quieto
procuro na solidão
alguma coisa
que a desfaça
e ao vazio
que é o som
escasso
de gente
saindo e entrando
procuro o tempo
que parece
não querer ficar
para jantar

tardo sem ele
sem nada
que me peça algo
antes de mim
da utilidade
práctica do fazer
do dar-me constante
que não recuso
e inquestiono

pudesse eu explicar-te
dizer-te esta tristeza
imensa
que é sentir
que me não conheces
que me destratas
no lugar mais frágil
de mim
aonde a possibilidade
da vida
é não mais
que o limiar
do absurdo

pudesse eu esquecer-me
do amor restante
dos princípios
que eram fortes
quando acreditava
ainda
nas cores das árvores
sem nome
e era música
o som desfalecente
das casas recolhidas

só
é o meu lugar
no mundo
a minha inutilidade
a avolição-hipnagoge
ridícula
obstinada
e sem sentido
que é viver longe
da verdade
morrer-me
sem dar conta
e sorrir
ao céu fechado
manhã 
antemanhã
sem ti

(...)

1 comment:

Ana said...

Sem palavras , mas sentindo !
Um abraço, Isabel !