de plástico
Barcelona 2012
~
perdida
no desconhecimento
da vida
sem saber histórico
por que entender
o sentido
das coisas
sinto o peso
do mundo
e um querer
antigo
que me falha
:
talvez seja amor
o irresoluto
a haver
.
o mar é griso
aqui
as estrelas
distam
no céu
apagado
distante
há o ruído
os sorrisos
os abraços
indiferentes
a liberdade
libertina
libertina
dos corpos
derretidos
o fausto
a grandiosidade
escorchante
a ilusão próspera
de estar bem
e ser maior
a força sôfrega
do hábito
de estar só
o ânimo ingénuo
dos dias que passam
ao delével
.
duvido agora
da saudade
da prodigalidade
das minhas
intenções
da ética
ligeira
anérgica
que pratico
do agir
inconsequente
da verdade
da sinceridade
que soía ser
primeira
,
da prodigalidade
das minhas
intenções
da ética
ligeira
anérgica
que pratico
do agir
inconsequente
da verdade
da sinceridade
que soía ser
primeira
,
não sei já
quem fui
esqueci-me
em sonidos
e verbos vagos
,
reconheço agora
o exagero
o despropósito
por onde ruía
a dúvida
que era (é) em mim
,
mareio no silêncio
emprestado
da solidão
que impõe
o pensar-me
adentro
,
perco-me
na contradição
da vida
que ressurge
pontuada
de interrogações
e imperativos
débeis
,
visto-me
da roupa
que não tenho
do redil
inventado
ao poente
vespertino
da brisa restante
.
caminho
caminho
até não mais poder
