Saturday, June 23, 2012
Friday, June 22, 2012
~
foto retirada de www.olhares.com (link do autor)
~
disto do lugar
aonde combinámos
o reencontro são
dos nossos versos
do mar sem fim
aonde brilham
os astros todos
e a terra
é não mais
que recordação
vaga e lírica
de um outrora
viver precário
por agora
permaneço
aqui
neste instante
incerto
que não entendo
neste lugar
que não existe
além do desejo
inqualificável
de aqui
não estar
procuro-te
procuro
um rosto
que fosse
manhã de sol
um olhar
qualquer
atento e verdadeiro
sorriso
que fosse alento
e esperança
ante multidão
incerta
que corre
sem sentir-sentido
pelas ruas
profanadas
de gente
atropelando-se
no intento
no intento
súbito e fugaz
de aculturação
não consigo
suportar
tudo isto
à distância
da verdade
rio
à distância
do Tejo
azul
que é no céu
da cidade
única e possível
aonde sou
aonde posso
ser-me feliz
não consigo
conter-me
no fausto
sufocante
das calles
rangentes
como calhas
de eléctricos
que não há
no ruído
soía ausente
de uma multidão
errática e ébria
que não escuta
nem sente
nem entende
a poesia
que é no som
silente
de uma guitarra
que chora
sobre a noite
percorro
em desmesura
os recantos
deste espaço
sem sentido
sem percurso algum
como destino
além de
outro qualquer
que o não fosse
que fazer
quando
só à música
só a ela reconheço
o prazer da hora
que passa
quando
o tempo
não existe
além de estar só
neste lugar
(...)
Monday, June 18, 2012
~
Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.
E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.
Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por cousa esquecida.
Fernando Pessoa
Saturday, June 16, 2012
Friday, June 8, 2012
casa
Barcelona 2012
*
onze horas
de um presente
que não existe
e tardas
de um tempo
que é só tempo
onde de ti
veleidade
desconhecimento
absoluto
do que é ser feliz
dói-me o corpo
onde estás
e a alma toda
pesa-me a descrença
por que fontes
escorres
absoluta
e o mundo todo
onde a tua sombra
é sem sentido
onze horas
e há gente que passa
ausente
trémulo
o meu corpo
e o som
de uma guitarra
longe
por que calhe
larguei o meu corpo
vazio
toca a solidão
estou só
e o fausto das cidades
que são grandes
porque grandes
apenas
onde de ti
e os prédios
as sombras
os escombros
existirás
além de mim
os rostos sem olhar
que ignoramos
do pensar-te
a impossibilidade
de sermos homens
do amar-te
simplesmente homens
a sós de tudo
livres
do recusarmos
juntos
as vontades
que nos não pertencem
para sonhar
é já manhã
e nada acontece
para sonhar
é já manhã
e nada acontece
nada além de ti
que não existes
~
Barcelona
(foto retirada de www.olhares.pt - link autor)
*
posso amar-te
por um instante
beijar-te
abraçar-te
sem que o saibas
pensar-te
sem que o sintas
olhar-te
com fixidez absoluta
sentir-te por fim
na distância de nós
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