Saturday, February 4, 2012

~


~

não te encontro

nos passos
inextintos
da memória

aonde estás

além-mundo
este
além
impossibilidade

esta
de sermos
em uníssono
com o bem
que nos ensinaram
de tão pequenos
e a nós
tão cedo
retiraram

é difícil viver
a quatro patas
é difícil sorrir
com o bafo
sufocante
que nos ergue

é difícil caminhar
sobre as pedras
do dever
quando o caminho
é tortuoso
e ágil
no engano

não nos resta
absolutamente
nada
além do amor
este
que impossível

nos consome
à distância
de nós

porque
acredita

é proibido
amar
é proibido
não querer
é proibido
não correr
senão
pelo
inventário
material
e inerte
pelo
saber-agir
em conformidade
com o que nos não quer
e não queremos

não te encontro
não me encontro

senão
no olhar
amargurado
da manhã
que se esconde
sobre os prédios
doentios
sobre o olhar
demente
de quem chora
sem razão
sobre a música
sobre a poesia
que é feita
pedra
e pesar
escorchante
que se não vê
mas sente
no alheamento
de quem passa

não te encontro
senão na memória
do que não existe

(…)

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