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encontro-te na
insignificância
de mim
no espaço restante
dos meus dias
se o silêncio
é hora que não passa
e a dor de sentir
ruído que se não cala
seixo transbordante
de vagares absurdos
é na tua voz
o raiar de esperança
e no olhar doce
a verdade
sem descrença
que era já
antes de nós
nos sonhos
que construímos
longe
quando nos
não sabíamos
ou nos poemas
que líamos
em uníssono-
-silêncio
reencontro-te
na pequenez-procura
da claridade
do sabor
azul e branco
que desconheço
desde a essência
de mim
do querer dar
sem fim
que não controlo
do ruído instável
adentro
que (in)suporto
da justiça
que se não faz
sem contraponto
do mel vulnífico
e amargo
de que são feitos
os sorrisos
do olhar furtivo
daqueles que nos
condenam
na retribuição
mísera e fasta
da verdade
que procuro
crente
ao sol-pôr da tarde
sobre o mar
que tarda
abraço-te
agora
beijo-te
no conforto
da solidão
a cada espaço
pequeno de nós
a cada palavra
que antecipo
de ti
a cada rio denso
que sonhámos
e à chuva batente
aos algerozes
transbordantes
de águas
escorrentes
sobre o tejo
ao silêncio
que é bach
e castelo
e sons
e revérberos
de redenção
sou exausta
de mim
neste tempo
que me falha
exaurida
pela indiferença
pela força gasta
que sou
procurando-me
procurando-te
na evidência clara
do encontro
na certeza telúrica
de sermos felizes
mas falto-me
na destreza
no savoir-faire
na candura aparente
no aroma floral
na delicadeza
no modo ordenado
de dizer o que não serve
no gesto terno
na mão que te não toca
e acena tolhida
no cumprimento célere
e frio
de todas as manhãs
na indumentária
curvilínea
no rosto purpurínico
de pastel coloriforme
nas humílimas palavras
inventadas
no intentar
do teu olhar
como objecto
ou pedra
que me pertencessem
toco-te sem que o sintas
sem que o saibas
por palavras constrangidas
que não sei dizer
espero-te
espero-te aqui
neste lugar
que não existe
além de nós
e da poesia
(...)
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