Monday, November 7, 2011

~

~

não sei bem

onde

me encontro

que margens

me acercam

na tarde escura

e fria

em que nada sou

além do imediato


é o meu corpo

este

imóvel

que não serve


é o corpo

a única coisa

que possuo

deste espaço-solidão

e o silêncio

a palavra significante

da fragilidade

das coisas humanas


passam corpos

corpos possuídos

passam cores

aromas e lágrimas

e palavras-pensamento

que não detenho


passas-me tu

a sinceridade

desprotegida

do teu olhar

o gesto terno

a voz trémula

com que dizes

o teu sentir


pudesse abraçar-te

e dizer-te tudo isto

e sentir

que tudo isto

é verdadeiro


pudesse amar-te

sem matéria disforme

que o impedisse


ser eu terna também

e frágil

no ruído perturbante

das minhas imprecações


amo-te


amo-te no segredo

da música que partilhamos


amo-te aqui

neste lugar estranho

neste espaço

irreconhecível

onde és memória

e saudade

e vida que renasce


~






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