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não intento entender
a justiça dos homens
nem tão pouco
o desespero das causas
que lhes não valem
em solidão
(bastam-me os motivos
que são nossos)
não
não intento amar-te
mais que o amor
nem interrogar-te
a propósito de nós
gastei-me já
gastei-te em memórias
que não foram
em gestos
que me pareceram gestos
em palavras
que me não disseram
aquilo que julgava ouvir
estou só
sólida em mim
e nas coisas que me gritam
só nas dúvidas
que em mim condenam
o sorriso
só
contra o muro pedregoso
que nos separa
contra o olhar de esperança
que é brilho e chama e fogo
extintos
só contra o mistério
que é viver
na pergunta eterna
da noite
que vem e esparsa a vida
só
no abraço terno
que esboço em mente
na palavra quente
que ninguém me disse
porque só
não sei se grite
se cale
tão somente
só
(...)