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quando ser feliz
era o brilho
ardente do mar
ao sol-pôr da tarde
e o olor denso
do carvão
e do eucalipto
incandescendo
céleres ao cair
da noite fresca
quando ser feliz
era o beijo-olhar
da lua
sobre as ondas
e os astros todos
de Verão
pendentes do sonho
e pensar
que se não vendia
o amor
nem podia comprar
a amizade
quando ser feliz
era confiar
o corpo
cansado e inerte
ao destino incerto
e vogar sorrindo
sobre a verdade
simples
de existirmos livres
na clandestinidade
do mundo
[...]
quando ser feliz
não mais existe