vogar - 2009
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É inevitável que escreva. Que escreva de um minuto donde tão cumprido alento destronara a solidão em mim, e de onde a música impusera em ímpetos frondosos todo o tempo que indelével não tardara.
Inevitável que escreva. Que escreva ao ínvio percorrer de um caminho que em tempos encetara. Linha clara, verdadeira, refulgindo ao aroma florescente de Maio. Abrindo-se em volúpias de si mesma ao transitar ébrio de nossos corpos vogando sobre o rio da invenção dos sonhos.
É vida, sim. É vida, este misantropo sentir que trago comigo. Vida ardendo ao peito férreo da verdade. Verdade que se esconde em cada gesto, em cada palavra, em cada sentir confessado a medo. Talvez não saibas. Talvez o não soubesses quando relutante afastava o olhar, para que de si ideia alguma escapasse (pudesse tão somente lançar um gesto terno - vocábulo que beijasse o teu sorrir).
Digo-te agora, no despropósito póstumo da acção, dormente ainda dessa maternal presença apelando ao amor em mim; afirmo agora, com a certeza intemporal de um outrora então refeito, que és presente no pensar-agir humano que me ensinas(te), dia-a-dia, ao raiar pleno da integridade em ti.
Agora sinto e não estou só, embora silente. É força, a tua força, o agitar constante que me enleva e incita ao presente. Por ti cumpre-se o ânimo de estar sendo em verdade. Assim consiga lá chegar.
Obrigada!
