retirado de www.olhares.pt (link do autor)
faz frio
aqui
e é vento
sibilando
de través
o eco de
silêncio
que escuto
por entre
gelosias
gastas
de tanto
me ouvirem
pensar
o teu ser
e proferir
o teu nome
e desejar
a distante
presença
que me
não
falha
à memória
nem ao
saber-se
verdade
única e
constante
verdade
ao sendo-
-incerto
porvir
de outrora
que agora
se refaz
~
as palavras
talvez as entenda
ou tão somente
creia entender
aquilo
que só o coração
revela
e vela
à razão
moribunda
que te não sente
senão distante
ausente
as palavras
que me atingem
talvez as entenda
talvez
desejasse entender
o verde fruto
da criação
- elo germinante
de meu ser
fasto
no amar(-te)?
talvez
desejasse intender
este sentir
premente
- que é do poema
a fonte
e do epílogo
a revelação?
mas sou toda
dúvida
toda ilusão
e pele
e osso
e humor
secos
falto-me
no brilho
extingo-me
no andrajo
esqueço-me
no sentir
morro-me
no tempo
gasto
sou
massa
amorfa
corpo
enclave
do sentir
repito
repito
traço
grosseiro
dorso
recurvado
gesto
lívido
livor
esparso
as palavras
de ti só
talvez
me contestem
por certo
me não pertençam
as palavras
- poema
de ti só
talvez
condenem
o equilibro
em mim
o encontro
de mim
por ti apenas
palavras
que são vida
- a tua
palavras-poema
que escuto
- porque tuas
palavras
sendo
em verdade
- porque de ti só
verdade
que não encontro
por mais esforços que invente
por mais poemas
que desfaço
porque de ninguém
mais
~
faz frio
aqui
e é lesta
a noite
e o vento
crasso
regelando
os meus
dedos
engolfados
no ímpio
deste papel
de
plástico
~
esqueço
o amanhã
e o agora
desfigurando-se
no limiar
límbico
límbico
da insónia
~
adormeço
- límpido é o sonho
e o teu corpo
(nosso corpo)
nele

2 comments:
"Límpido é o sonho
e o teu corpo
(nosso corpo)
nele"
Belo!
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