Saturday, January 16, 2010


senda
2009

*

E o que fazemos é tão pouco. Pouco como a mesquinhez entrelaçante de nossas vidas; como a desfaçatez de nossos actos iludindo a paz-consciência em nós.

Não sei que inércia é esta que nos ganha, nem tão pouco se inércia será o torpor que em nós se entranha.

Sorrimos na força sem vontade de nossos lábios palrantes; corremos na pressa sem razão, à mingua de um pouco mais de espaço: espaço incerto por cumprir; caminho inteiro de estilhaço, que é todo o nosso corpo a resistir.

Pergunto-me - onde do amor? - no coração que carrego. Coração mudo que um dia em mim foi cego de tanto bater por quem; verde pétala de amor puro turgescendo de esperança ante estranho mundo aquele que lhe restara.

Mas agora tudo cansa, e em mim nada alcança o sentir que na desmesura do tempo estranhou.

Sem resposta, vasculho imberbes fragmentos de verdade; pedaços de companheirismo, de amizade; lágrimas confidentes de saudade extinguindo-se na memória.

Assim procuro e assim parto ao reencontro em nós.

1 comment:

Carina said...

Olá! :)

Já bastante tempo que não falo contigo! Que tens andado a fazer?

Escolheste Hematologia como especialidade? Acho muito interessante!

Por acaso preciso de ir a um hematologista daqui a uns meses...