Cais - 2009
E a pressão instala-se na minha cabeça, no meu corpo, neste corpo admoestado pelo princípio da racionalidade que se impõe à vida na cidade. O que posso fazer, o que devo fazer no meio desta confusão, destes olhares degoladores? O que faço aqui, neste agora sempre incerto, neste presente indesejado, naquele segundo consumado?
A pressão aumenta. Aumenta porque não consigo digerir a reprimenda, entender aquela dureza súbita, que me corrói. Sinto-me vulnerável a qualquer palavra, a qualquer intento mais brusco. Sinto-me desmoronar a cada suspiro impaciente, a cada dedo que troco, a cada nota que falho, a cada decisão que não penso, porque me sinto sempre capaz e talvez não seja.
Esgotei todas as certezas, todas as metas, todas as estacas que marcavam o tempo. Esqueci-me de medir os limites do corpo, a seiva que o sonho impõe, o tamanho da desilusão quando descobrimos o quanto somos imperfeitos.
Sinto-me inútil. Sinto-me verdadeiramente inútil quando percebo que nada trago comigo, que nada posso dar quando alguém me pede um pouco de água, um abrigo.
A pressão aumenta. Aumenta porque não consigo digerir a reprimenda, entender aquela dureza súbita, que me corrói. Sinto-me vulnerável a qualquer palavra, a qualquer intento mais brusco. Sinto-me desmoronar a cada suspiro impaciente, a cada dedo que troco, a cada nota que falho, a cada decisão que não penso, porque me sinto sempre capaz e talvez não seja.
Esgotei todas as certezas, todas as metas, todas as estacas que marcavam o tempo. Esqueci-me de medir os limites do corpo, a seiva que o sonho impõe, o tamanho da desilusão quando descobrimos o quanto somos imperfeitos.
Sinto-me inútil. Sinto-me verdadeiramente inútil quando percebo que nada trago comigo, que nada posso dar quando alguém me pede um pouco de água, um abrigo.
1 comment:
No entanto, se te pedirem palavras... tens muitas para dar!
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