Porquanto o tempo passa, há um cansaço que devassa este corpo que carrego. Pesam-me os ombros, as pálpebras, quebram-se as costas ogivadas, toldam-se os olhos balustrados pelo reflexo lenticular, de halogéneo, que vela o incessante ponteio das horas. Há uma força que arrasta o momento e consigo o meu espírito derrotado pela imposibilidade de amar a vida, de tocá-la, de sentir o seu fulgor. Cheira a terra húmida, a água escorre pelas janelas do meu quarto e um nevoeiro imenso perpassa diante deste rosto que encaro. Não reconheço nele o olhar inebriante da juventude, o aroma fresco da vontade. Sucede agora um olhar seco e pálido, uma pele fria e áspera, uma face espectral, reflexo deste meu espírito desnudado. Onde de mim, do meu ser... para onde me leva o vento?

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