Lento suave e firme
é o assentar das minhas patas no chão.
As ruas carregam coisas
ruidosas que se empurram e
me empurram sem razão,
separando-me de mim.
Caminho pesado e o meu corpo,
rugoso e sagrado, tem pintadas
as muitas cores que os homens fazem.
Aqui estou eu, enorme e frágil,
no meio da cidade, com a minhas
presas intactas.
Aqui estou eu, debaixo deste sol
escaldante que nunca me deixa
esquecer as selvas, montanhas e
imensas planícies verdes e livres
duma Índia que é minha.
Vem Escuta o silêncio desta quase noite Sentes o vento? Sentes a brisa fresca Que leva os teus cabelos de linho?
Ouve Ao longe rebentam ondas Sobre a encosta Repara como gritam Sentes o seu aroma de mar?
Repara Pousam nele gaivotas Que voam ao luar Escuta como cantam Sentes o coração pulsar?
Dá-me a tua mão Abre o teu coração ao mundo Pára um pouco para sonhar Não sentes a vida passar?
A beleza da música de J.S. Bach em todo o seu esplendor. Vale a pena ouvir Glenn Gould, aqui numa interpretação mais intimista e introspectiva em relação à gravação de 1955 (http://www.youtube.com/watch?v=PRMV1fktwLc).
Percam-se no Youtube com os fantáticos vídeos que por lá pairam;)
Sombras
Que no passeio
À luz da noite
Caminhavam unas
Devotadas ao amor
E na mais gélida aparência
Que consente a solidão
Outra sombra ímpar
Ardia em chamas
Invisíveis nuas
Coração mudo este
Que habita o meu corpo pétreo
Onde a solidão sublima o desejo
A verdade renuncia ao cortejo
Por quem baterás?
Falam a língua do olhar, sincera e humilde, como os recandos da sua alma. Falam de amor e de amizade, têm vontade e querer, preenchem-nos de saudade. Como penso em ti Pipas, quando procuro um sentido para o vazio dos dias e das gentes ... Amo-te pelo ser que és!
Tarde luminosa de Verão. Os reflexos de sol transgrediam os limites do olhar e a brisa de fim de tarde restituía o fôlego suspenso daquela jornada solitária, muda. O rosto do Tejo, interciso pelos pilares da ponte ondulante, convidava à reflexão, espraiando a calma e tranquilidade que eu tanto procurava.
Caminhei sem destino, olhando apenas para a margem esquerda, sorvendo o ar e os odores matizados pelas cores frescas e claras da juventude. Rolavam crianças pela relva, corriam jovens no desespero frenético de um golo, sumiam-se barcos na aura esfumada do horizonte.
Dei por mim a recordar as viagens intermináveis para o Algarve, em que me entretinha a olhar pelo vidro do tejadilho do meu carro, procurando esquecer que estava em terra. De súbito, após alguns minutos de trânsito à saída de Lisboa, eis-me planando sob o céu azul da ponte a que sucediam o pôr-do-sol de Alcácer, o manto estrelado do Alentejo, o cheiro a alfarroba, a praia, a mar daquele destino tão desejado e planeado desde o último regresso. Tínhamos por hábito cantar as músicas da moda, desde Ministars e Onda Choque a sons dos anos 80-90, que o meu pai conseguia convencer-nos a ouvir, para bem dos seus ouvidos e, diga-se de passagem, do seu sistema nervoso, construindo de forma inconsciente e despretensiosa momentos únicos e omnipresentes, evocados pela energia fremente de um sorriso de criança.
Percorridos alguns metros, em pleno Museu da Electricidade, apoderou-se de mim uma vontade imensa de seguir aquele rosto tornado silhueta, ali exposto em cartaz. Entrei.
Numa sala escura, ressoavam excertos de árias de ópera, interpretados por uma voz singular. Ali ecoavam reminiscências de um passado conturbado, feito de esplendor e de escândalo, de apoteose e de amargura, postumamente deificado pelo tempo, à semelhança de tantos outros seres sitiados na época em que nasceram.
Ao longo da exposição tive oportunidade de apreciar fotos, manuscritos de amor, programas de concerto autografados, e valiosos adereços e vestidos, pessoais e cénicos, desenhados por estilistas de renome. Assisti ainda a um documentário sobre a sua vida e tacteei a aspereza do mesmo cenário que, em 1958, adornou o segundo acto de La Traviata, em pleno palco do Teatro Nacional de São Carlos.
O calor ofegante daquele espaço exíguo, onde fui submetida à pressão de “pseudo-eruditos(as)” que desbravavam os corredores à laia de corta-mato, nem dando tempo para localizar a peça referente à legenda, sendo para tal necessário levar uns quantos empurrões sub-reptícios, façanha dolorosa para uma tarde de sábado, desprovia aquele espaço de qualquer mística.
Aquela promiscuidade de sedas e de perfumes, de pouchettes e de bijutaria, a que se juntavam comentários sórdidos sobre a sua vida, ou melhor dizendo, sobre os seus affaires de coeur, sussurrados de forma intencionalmente audível, como sinal de cultura e erudição, já para não falar do trautear de Vissi d’arte, vissi d’amore, que duas senhoras de virtude teimavam em repetir, perturbando a audição do transeunte mais desatento, provocaram em mim uma angustiante sensação de náusea.
Feitas as contas, nada se passou naqueles vastos minutos impregnados de um vazio materialista, de strass, tão pobre como as falácias de um público que se auto-intitula de “apreciador de ópera”, adornando as salas de concerto com o seu savoir-faire, numa luta árdua e calamitosa contra o sono, algures desperto pelo pungente e habitual grito de morte no final do último acto.
Considerações à margem de todo aquele fausto que me roubara preciosos minutos de claridade, eis-me de novo junto ao rio e à brisa maresiada da tarde, continuando aquela jornada solitária, muda, então acompanhada pela inconfundível voz de Maria Callas, La Divina.
Livre das roupagens lucífugas daquele espaço quente, onde cada recanto prenunciava a sua morte prematura, eis-me diante do rio lançando as cinzas daqueles objectos insignificantes, agora viajando de terra em terra na clausura do silêncio final, do acto final, de todos os actos. Tejo, mar Egeu, nada importa quando o espírito supera o corpo, perpetuando-se na memória de cada um de nós, fulgurando nos minutos de intenso prazer proporcionado pela emotividade e realismo das suas interpretações. Callas está viva, pelo menos para mim.
O raiar último do sol dissipava-se no céu escurecido, feito de um azul índigo iluminado pelas luzes de Belém. A brisa dera lugar ao vento, os barcos a holofotes que ao longe reluziam. Era hora de regressar.
No silêncio do quarto, fechei os olhos, escutei...
Ainda que os mais cépticos possam dizer que se trata de uma "visão romântica do suicídio", a verdade é que esta história é verídica, constituindo esses argumentos o retrato da realidade pérfida e meterialista em que vivemos. A quantos de nós não terá dado vontade de sair pelo mundo fora, renunciando à superfluidade impregnada nas nossas vidas? Chris apenas teve coragem para concretizar a amálgama de ideias que teima em florescer nos nossos sonhos. PS: A banda sonora é genial... ou não se tratasse de Eddie Vedder! Se forem à Fnac poderão encontrar um pacote dvd+livro que ainda dá 18 pontos no cartão e 2 euros de desconto noutro filme (perdoem-me... isto não é publicidade.. apenas acho que o que é bom deve ser partilhado)!
Rogo ao cansaço por um pouco de sono. A lassidão dos meus dedos, reclinados sobre o teclado como corpos que mergulham num mar sem fundo, procura nas palavras a emoção do momento e num fulgor de pálpebras, músculos e tendões, trôpegos como as asas de um pássaro ferido, procuro transpor as estacas do pensamento. “Mas tudo esquece tão cedo, tudo é tão cedo inacessível” quando perdemos a verdade, seguindo o prumo descarnado da vida que os outros nos impõem por capricho.
Há seis anos atrás, a ansiedade apoderava-se dos meus nervos, numa taquicardia súbita e constante, qual desespero lancinante pela causa das (minhas) causas: entrar para o curso de Medicina. O estudo passou, os exames nacionais passaram, a espera angustiante pelas listas de admissão passou, tudo passou e eis que de repente, num súbito abrir e fechar de olhos, o dia de hoje acontece. Acabei!
Na senda do sonho de exercer medicina, cumpriram-se votos abnegados de estudo e dedicação. Foram muitas as faltas nos jantares, nas tentadoras idas à praia quando o sol fulgurava sobre a minha tez derretida, suada. Tudo passou, tudo e tão depressa como se fosse ontem. Agora, entro na biblioteca e os meus colegas olham-me de outro modo, como se fosse um elemento estranho àquele espaço impregnado do orgulho imberbe dos caloiros que, pela primeira vez, ali pisam a quadrática carpete azul, sorvendo o cheiro a livro velho transfigurado no odor do saber. De repente, cruzo-me com olhares de respeito, por mim, ser insignificante e banal. Os funcionários tratam-me por “Senhora” ou “Dr.ª” e eu, que ainda encontro as mesmas borbulhas na face, o mesmo acne, as mesmas sobrancelhas por fazer, o mesmo cabelo despenteado, o mesmo olhar absorto, como quando tinha dezassete anos, descubro no seu trato cuidado, a subserviência e respeito (ou medo?) infundados, como se de novos semideuses nos tratássemos.
De sorriso jovem e dentes brilhantes, compondo um fácies engalanado pela petulância e sensação de superioridade, passam por mim saltos altos de donzelas que, apunhalando-se entre elas, soltam gargalhadas de conluio pela sua miserável condição de “nobre”. O seu fétido esplendor dissemina-se pelos corredores, pelas salas, pelos terraços, que derramam lágrimas de desilusão e fracasso. Onde do saber humilde, da ajuda despretensiosa, da arte pela arte (leia-se arte médica), nesta “ditadura dos números” em que vivemos? Claro que para bem do mundo, e para felicidade minha, existem também aqueles colegas e amigos com quem posso partilhar as minhas angústias, aqui prestando o meu eterno agradecimento. Certamente que a amizade continuará ad integrum pelo tempo que nos espera e pelo qual tanto ousamos desejar.
Quando entrei na Faculdade pela primeira vez, senti uma enorme felicidade. De repente, perfilavam-se diante de mim múltiplos sonhos e perspectivas, vontades distantes que então se tornavam possíveis, qual quimera tornada realidade. Contudo, hoje encaro a fachada da Faculdade de forma mais límpida e nítida, sem qualquer nostalgia pelo passado. Em mim resta apenas o presente, esta enorme vontade de rumar em direcção a outros mundos, a outros problemas, a outras gentes.
Sinto um sufoco constante perante este voluptuoso edifício, impregnado de interesses, de cargos despóticos, de vassalagem a uma massa anti-pedagógica, amorfa e obtusa, estagnada num tempo longínquo, repassado.
Hoje saio de mochila às costas, de ténis, de ganga, como um dia entrei. Trago comigo um espírito cansado e vazio, como se destes seis anos nada em mim restasse. Saio como um mutilado de guerra, que desmesuradamente procura o norte. Saio assim, perdida, tentando reencontrar o que de mais puro e belo resta em mim.
A vida afigura-se agora com maior precisão. Durante estes anos descobri a intriga, a falsidade, a petulância, o “intresseirismo” e o oportunismo, sofrendo por vezes das suas consequências. Percebi o quão rara é a verdadeira amizade, contando-se pelos dedos de uma única mão os amigos que para sempre guardarei no meu coração.
Saio ávida de referências, de Homens de valor e de virtude, quais Mestres que em qualquer local ou contexto prendem a nossa atenção, ensinando-nos o caminho, a descoberta de nós mesmos. Saio ávida de saudade de um tempo que passou, que simplesmente passou.
Freme em mim a mesma vontade de exercer medicina como quando entrei. De borbulhas no rosto e alma aberta para o mundo, eis-me de novo perante a incerteza de um futuro que desconheço. Durante estes seis anos fui adquirindo a força e coragem para enfrentar o “mundo de cão” que me espera e contra o qual vale a pena lutar.
Hoje, dia 18 de Julho de 2008, termino uma importante etapa da minha vida, não obstante a mesma sensação de começo que preludiou o início do curso.
Desta incólume liberdade de onde escrevo, aqui me despeço sem título nem sobrenome, apenas com uma enorme esperança e vontade.
Livre dos quês e dos ses, encontro finalmente a paz e adormeço ao som da música, fiel companheira de armas (… 2º andamento do concerto para piano em sol maior – Ravel).
Espírito que passas, quando o vento Adormece no mar e surge a Lua, Filho esquivo da noite que flutua, Tu só entendes bem o meu tormento…
Como um canto longínquo – triste e lento – Que voga e subtilmente se insinua, Sobre o meu coração, que tumultua, Tu vertes pouco a pouco o esquecimento… A ti confio o sonho em que me leva Um instinto de luz, rompendo a treva, Buscando, entre visões, o eterno Bem. E tu entendes o meu mal sem nome, A febre de Ideal, que me consome, Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!
Um dos filmes mais importantes da minha vida! Aqui fica um tributo (sobretudo para aguçar a curiosidade da Andreia)! PS: quaisquer "pregos" na música são pura responsabilidade minha ... sorry ;)
Baixo complacente Corda confidente Piano escuro cintilante... Noite quente!
Reflexos de névoa Voluptuosa como a melodia Que paira num sopro... Vento que arrepia!
Voz reverberante Sedução constante No flutuar deslizante Deste setim magnetizante... jazz!
Por que caminhos
Passará o meu corpo
Em busca de algo
Que não o toque
De alguém que o deseja?
Que amor é o que procuro
E quando chega
Afasto com garras de certeza
Da imprudência
Frágil e cega...
Adolescência!
Que tudo quer
Tudo nega...
Porquê esperar
Olhando o vento
Ouvindo-o passar?
Porque o sonho
Despertará algures no tempo
Tão puro e verdadeiro
Como a vida!
Se uma ideia surge Mas a tinta esquece Para quê pensar... Se o brilho submerge Mas a ideia esquece Para quê suar... Para quê engraixar O que sempre serviu para pisar?
Primo à pressa
A tecla presa
De tanto a usar!
Convulsa
Sinto o pulso
Num ouvido a tilintar!
E o zumbido amplifica
A dor que sinto
E me impele...
Não consigo descansar!
Magnetismo ilusão
Ecrã do fascínio adição
Como me chamas até ti
E nada encontro... ninguém!
Só vício e lascidão
De um tempo que se esgota
Entre os dedos... já nada o sustém!
E no vazio do pensamento Presa à memória que não vem É o corpo que me guia São os dedos Que no final de tudo ficam Movendo-se neste vazio De esquecimento
Quis o dia que a noite perdesse a alma Mas o seu rosto permanece Nas ânsias nos desejos Para sempre perdidos em mim Vontade que o corpo não permite Liberdade que o tempo limita Amor que não alcanço
E no vazio do pensamento Presa à memória que não esquece Sinto a confusão fremente Deste ser que mente Sempre que te ouve passar Música eufémica, outorgada À constante impossibilidade de amar
A vida!
Estás por toda a parte
Não escolhes o tempo nem o lugar.
Basta um olhar para te ouvir,
Basta uma música para te sentir,
Basta um perfume para te ver
A ti, súbita memória presente
Dos belos momentos ausentes
Daquilo que fui, daquilo que fiz
Enfim, daquilo que com sublime intensidade vivi!
Tuesday, July 8, 2008
Lá fora, o vento sopra num desespero de Verão. O nitrido dos estores fricciona o silêncio audível da noite, esboçando contornos indeléveis, escotomas de luz apagada, que coalescem num fechar de olhos, de pálpebras cansadas.
Ao longe ecoam pausas de fusa intercaladas pelo incessante ponteio das horas, gastam-se minutos de vida que desvanece por entre os dedos de uma mão que se fecha, emanam gritos de dor e de revolta de um espírito exilado, contam-se as balas perdidas no peito de um coração mutilado, calam-se crianças que, famintas, choram por um pedaço de pão abeçoado, cresce o desespero e a miséria de um povo enganado pelos dogmas da corrupção.
Como a vida é inóspita e impossível neste mundo de açúcar, alicerçado na mentira, na crença ilusória da igualdade, da prosperidade e da democracia. Que ser é este que se arrasta movido pelo tilintar metálico de moedas que brilham no zénite da ambição do Homem. Existirá alma no fácies pétreo e corrosivo dos corpos flamejantes que ardem no fogo-fátuo da competição, da luta arguta pela superação?
Não, não é lícito viver assim. Calem-se os demagogos, os magos místicos que perpetuam os erros do passado, cunhando nas trevas da ignorância o brasão de um país derrotado. Insurjam-se as massas, incendeiem-se os espíritos ultrajados, quebrem-se os grilhões que amarram o nosso ser repisado. Cumpra-se a verdade.
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra, Define com perfil e ser Este fulgor baço da terra Que é Portugal a entristecer — Brilho sem luz e sem arder, Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer. Ninguém conhece que alma tem, Nem o que é mal nem o que é bem. (Que ânsia distante perto chora?) Tudo é incerto e derradeiro. Tudo é disperso, nada é inteiro. Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Fernando Pessoa
Saturday, July 5, 2008
Há dias em que um sorriso fosforece em qualquer face, em que o choro esquece na memória de quem fica, de quem parte. Há dias em que o sol sobe ao céu como pássaro de luz, halo de esperança que reconforta e seduz. Há dias em que o amor se transforma em música tentacular, raiar terno e sereno, murmúrio constelar. Há dias em que o vazio pulsátil da vida freme ao som do mar e em que no silêncio áfono da saudade pressinto o teu olhar. Há dias em que te sinto aqui, a meu lado. Há dias, ainda há dias assim ...
No incólume recobro da noite toca-me esta melodia que toco e no espaço do indizível lanço conjuras rítmicas, ultrajes de notas repisadas pela exaustão, laivos de dor esculpida no silêncio da emoção. Vibram cordas como pássaros que cantam, gritam notas de anseio e de esperança, cantam almas que escoam da lembrança. Nada somos, nada sou, quando a música revela a essência do nosso ser. Ouçamos o prelúdio da nossa condição, a miséria encrostada neste pérfido viver... Voemos como os pássaros voam!
Tuesday, July 1, 2008
Ecoava nos recantos do espaço, num murmúrio de abóbadas que ressoavam cada nota com a veemência de um primeiro encontro. Como, no ímpeto da raiva, no limiar do cansaço, pode a música atenuar a angústia do ser. É nela que se esconde a réstia de amor perdido no âmago deste espírito revoltado. “Morre-se de ter uns olhos de cristal, morre-se de ter um corpo, quando subitamente uma bala descobre a juventude da nossa carne acesa até aos lábios”, morre-se de ser fiel ao propósito da vida, morre-se porque se é.