
Oiço a música da minha infância,
Recordo! Os sonhos de aventuras,
As cores das histórias sem mortes,
Os maus vilões levados à razão,
Os bons amantes, felizes para sempre!
Como era bom entrar para aquele mundo,
Da real fantasia dos bonecos e das revistas,
Do meu tapete voando pelas noites dos sonhos,
Das chávenas, velas, espelhos... que falavam
Com um humanismo sem limites!
Onde estão as manhãs de sábado,
O leite quente com chocolate,
A inocência de um passado
Sem luta, competição...terror pela superação,
Só simplicidade e verdade, gosto em ser!
Será que a vida é um todo de prisão,
Cela sequiosa de paixão,
Ausência de nós... Ah! Como é difícil viver
Estes belos anos de cativeiro e penitência
Entre muros amarelos de um sistema ultrapassado!
Adolescência perdida em teoria
Sem tempo para escrever uma poesia...
Sem tempo para olhar o mar...
Sem tempo para correr nem gritar,
Sem tempo para amar...o próximo!
Não, não deixarei que acabes,
Que te cubras de novo pelo pó do esquecimento,
Que apagues a pureza que ainda resta em mim,
Porque tu és aquilo que não foi contaminado
Pelo vil mar da petulância e falsidade!
Oiço a música da minha infância,
Recordo! Os meus amigos de sempre,
O mundo que com toda a intensidade vivi,
As lágrimas que chorei pelo Dumbo...
Enfim, a ausência de toda e qualquer superficialidade!





