Tuesday, May 20, 2008



Visto o teu robe

Tão nobre

Como os gestos de quem ajudou

O pobre!

Tocas-me com a tua mão gasta

Pela água que por ela correu

Pela força que a descarnou

Pelo trabalho que a valorizou...

Arrepio-me!

Será que me ouves?

Será que sabes quem sou

Ou será que sou para ti

Apenas aquilo que outrora fui?

Sentes-me?

Espectral mas atenta

Passas por tudo serena

Nada te toca nada te acena

Para ti tudo é nada

Porque nada te lembra... Nada!

Cérebro dissipado

Na degenerescência de uma vida de trabalho

Nobre... suado...

Como o robe que visto

Molhado... porque choro!

A névoa nas lentes

Abafa o frio que sinto

Ao ver-te sentada... inerte... mas contente!


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