Visto o teu robe
Tão nobre
Como os gestos de quem ajudou
O pobre!
Tocas-me com a tua mão gasta
Pela água que por ela correu
Pela força que a descarnou
Pelo trabalho que a valorizou...
Arrepio-me!
Será que me ouves?
Será que sabes quem sou
Ou será que sou para ti
Apenas aquilo que outrora fui?
Sentes-me?
Espectral mas atenta
Passas por tudo serena
Nada te toca nada te acena
Para ti tudo é nada
Porque nada te lembra... Nada!
Cérebro dissipado
Na degenerescência de uma vida de trabalho
Nobre... suado...
Como o robe que visto
Molhado... porque choro!
A névoa nas lentes
Abafa o frio que sinto
Ao ver-te sentada... inerte... mas contente!
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