Tuesday, May 20, 2008



Queixamo-nos nós do pão que não têm

Os que sorrindo perdem a infância bulindo

Cercados de uma miséria esquecida e ignorada,

Destinados ao sofrimento e a uma injusta caminhada!


De tranquila consciência regressamos a casa,

Nem sequer pensando na difícil subsistência

Daqueles cuja martirizada e inglória vivência

Prima pela inexistência de um simples tecto!


Alegremente caminhando por um passeio

Sem minas, raramente nos lembramos

Daqueles que, inocentemente brincando,

Num simples passo perdem as suas vidas!


Impunemente desvalorizando as roupas

Que não vestem os que delas tanto precisam,

Desfilamos nós ao sabor da moda supérfula

Indiferentes, egoístas, egocêntristas!


Esbanjando protecção e afecto,

Banalmente beijamos e somos beijados,

Esquecendo a importância de tão simples actos que,

Ainda que por uma só vez, fariam sorrir uma criança!

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